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Central de valorização orgânica

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A Central de Valorização Orgânica do Planalto Beirão está dimensionada para receber e tratar 130.000 toneladas de resíduos sólidos urbanos por ano. O custo total deste investimento é de cerca de 34,5 milhões de euros, financiado em 75% pelo Fundo de Coesão, entrando em funcionamento já no 2º semestre de 2010.

Esta unidade está equipada com tecnologia recente e é composta por uma linha de pré-tratamento e triagem, com a finalidade de separar 30.000 toneladas de resíduos biodegradáveis, assim como, recuperar uma quantidade significativa de materiais com potencial reciclável.

Parte da matéria biodegradável é sujeita a um processo de digestão anaeróbia, onde ocorrem diversas fermentações que originam a produção de biogás.

Este gás natural, constituído essencialmente por dióxido de carbono e gás metano, vai fornecer combustível a um conjunto de 3 motogeradores de energia eléctrica, com capacidade instalada de 3 MW, criando electricidade para injecção na Rede Eléctrica Nacional (REN).

Da entrada em funcionamento desta unidade advirão um grupo de vantagens significativas, tais como:

  • Cumprimento das metas exigidas pela União Europeia, relativamente à redução da deposição de resíduos orgânicos em aterro sanitário;
  • Produção de energia renovável, material reciclável e composto;
  • Redução das emissões de gases com efeito de estufa.

 

Central de Valorização Orgânica

 

Infra-estruturas executadas e em execução

Sistema de recepção e descarga

Os resíduos provenientes da recolha indiferenciada são depositados numa zona fechada, para minimizar a fuga de odores e partículas para o exterior. A zona de recepção e descarga está preparada para receber os vários tipos de viaturas que efectuam a recolha e o transporte de resíduos.

 

Pré-tratamento e triagem

Os resíduos recolhidos passam por uma linha de pré-tratamento, com a finalidade da separação da fracção orgânica, com diâmetro entre os 6 e os 15 cm.
Os resíduos são crivados, passando por túneis rotativos e são, posteriormente, sujeitos a uma triagem manual onde são retirados os resíduos mais volumosos. Após esta operação, sistemas mecânicos de abertura de sacos e separadores balísticos permitem a separação da massa de resíduos em varias fracções: finos, planos/leves e rolantes/pesados.

Os separadores magnéticos retiram os metais, os separadores ópticos separam as embalagens de plástico e de papel/cartão e os trituradores vão regularizando a granulometria da massa de resíduos.
Neste complexo processo também estão presentes separadores de raio-X, que separam os materiais mediante o seu peso atómico, de forma a extrair materiais inertes como pedras e vidros, seguindo-se um silo de fundo móvel que garante a continuidade do abastecimento dos resíduos à digestão anaeróbia.
Os materiais recicláveis captados neste processo de triagem são enfardados e encaminhados para a indústria recicladora através das diversas entidades gestoras e os elementos rejeitados são enviados para aterro sanitário ou para sistemas de valorização de resíduos alternativos.

 

Digestão anaeróbia

Os resíduos pré-tratados chegam à fase da digestão anaeróbia / metanização previamente diluídos, homogeneizados e aquecidos, de forma a estarem nas melhores condições para a degradação microbiana sucessiva, que requer um meio isento de oxigénio para obter um rendimento eficaz.

O digestor com capacidade de 4200 m3 possui um diâmetro interior de 15 m e uma altura de 28 m e encerra um sistema de isolamento térmico, constituído por lã de rocha e por poliuretano projectado na base. O teor em matéria seca no digestor situa-se entre os 17% e os 32%, evitando assim a decantação das partículas pesadas, uma vez que, o meio é mais viscoso e denso.

O sistema de agitação pneumática é accionado de 20 em 20 minutos e consiste na injecção de biogás sob pressão na base do digestor, através de 42 injectores distribuídos por 8 sectores. A pressão do biogás é de 6,5 bares.
Cada agitação unitária desenvolve uma energia correspondente a uma massa de 50 toneladas que cairá do alto do digestor directamente na matéria. O tempo de retenção da massa no digestor é de 29 dias.

 

Compostagem

A compostagem é uma reacção de degradação da matéria orgânica, da mesma natureza que a metanização, conduzindo a uma estabilização dessa matéria por consumo do carbono e produção de CO2.

A compostagem (após metanização) tem uma duração aproximada de 2 semanas e permite obter um produto final estável, seco, homogéneo, desodorizado e de fácil afinação.

Está instalada uma cadeia suplementar de alimentação de agente estruturante, junto da área de compostagem. Esta cadeia permite acrescentar a quantidade de agente estruturante à entrada do fluxo de ar da unidade de compostagem.
Existem 5 silos constituídos por duas paredes paralelas, com um fundo composto por duas linhas goteiras com ventilação, onde um revirador permite arejar o material, bem como, revirá-lo ao longo dos túneis.

 

Afinação do composto

O composto bruto extraído segue para um descompactador com regulador de fluxo e deste para um trommel de 20mm, através de transportadores, para serem removidos os contaminantes.

O composto é colocado a granel em parque coberto, para salvaguardar o composto da acção de agentes atmosféricos, no período de espera até à sua colocação no mercado ou utilização. O material rejeitado é enviado para aterro.

 

Tratamento do ar e de fluentes líquidos

Os odores provenientes da instalação são tratados. O ar presente nos diversos edifícios (em ligeira depressão) onde se processam os resíduos será captado e enviado para lavagem química e tratamento de odores através de filtro biológico.

Todas as águas do processo e escorrências são encaminhadas para o sistema de tratamento de lixiviados existente no Centro de Tratamento.


Valorização energética

O biogás produzido no aterro sanitário e o gerado no digestor irá ser convertido em energia eléctrica através da respectiva queima em 3 motogeradores instalados para o efeito, permitindo assim a sua valorização energética.

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